Factores determinantes na escolha das lâmpadas ©Copyright 2005, Rui Alves

A iluminação assume um papel primordial e determinante no sucesso de um aquário plantado. O texto que se segue reflecte a minha experiência na área de iluminação de aquários e é minha pretensão que possa ser uma ajuda para todos que vivem a paixão pelos aquários plantados.

As plantas aquáticas desenvolvem-se praticamente com qualquer tipo de luz desde que esta cumpra um requisito: que seja suficiente. Existem, no entanto, outros factores que devem ser tomados em conta na iluminação de um aquário plantado. Temperatura de cor, índice de restituição cromática e fluxo luminoso são tudo conceitos a ponderar, mas são conceitos definidos com base nas características do olho humano, o que quer dizer que para uma planta estes conceitos não significam exactamente o que significam para nós. Por esta mesma razão levantam-se algumas questões pertinentes relativamente à escolha das lâmpadas para um aquário plantado.

Aquário com volume bruto de 79 litros. Iluminação com 3 lâmpadas T5 de 24w num total de 72w. Temperaturas de cor utilizadas: 1 lâmpada de 6500k e duas lâmpadas de 4200k, com índice IRC respectivamente de 96 e 90. A relação w/l é de 0,9.

Calcular a luz necessária

Estabelecer uma relação entre watts e litros é a fórmula mais empírica que utilizamos para calcular a luz necessária para um plantado, mas esta relação não leva em conta a quantidade de luz que uma lâmpada produz em função da temperatura de cor nem estabelece diferenças entre diversos tipos de lâmpadas.

Por exemplo: uma lâmpada fluorescente T5 de 54w com 5000k produz em média a mesma luz que uma lâmpada T8 de 58w. Como se pode verificar neste exemplo a escolha das lâmpadas com base na sua potência não é linear, mas a verdade é que é em muitos casos  um ponto de partida.

Por regra geral e no que diz respeito a lâmpadas fluorescentes toma-se como regra ser necessário ter entre 0,5w a 1w por cada litro de água. Um plantado de 60 litros pode-se fazer com 36w, 45w, 72w. Tudo depende do tipo de lâmpadas que usarmos, do tipo de plantas, do tipo de reflector e em última instância dos nossos objectivos em termos de “layout”.

Em seguida apresento uma tabela que se baseia na minha própria experiência e cujo objectivo é dar uma ideia geral das potências adequadas para um determinado volume de água. É evidente que cada caso é um caso e tem que ser analisado individualmente.

20 litros a 40 litros    –      18w a 36w

40 litros a 60 litros    –      36w a 72w

60 litros a 100 litros   –      72w a 85w

100 litros a 150 litros –    85w a 144w

150 litros a 240 litros – 144w a 220w

240 litros a 350 litros – 220w a 300w

350 litros a 500 litros – 300w a 400w

500 litros a 700 litros – 400w a 540w

700 litros a 1000 litros – 540w a 700w 

Depois de estabelecermos o número de watts que necessitamos, podemos escolher então as lâmpadas e o tipo de lâmpadas com base em outros factores. Não queremos apenas que o aquário tenha luz suficiente, queremos que ele tenha bom aspecto. Então há que conciliar os aspectos técnicos aos aspectos estéticos.

Temperatura de cor, restituição cromática e curva de distribuição espectral.

Numa coisa temos a certeza: as plantas preferem para a realização da fotossíntese comprimentos de  onda nos limites da zona visível, na zona azul e preferencialmente na zona vermelha.

Lâmpadas especiais para plantas como é o caso da “gro-lux” da Sylvania ou da “fluora” da Osram partem deste pressuposto, mas apresentam alguns problemas inerentes: índice de restituição cromático baixo que advém da concentração de energia na zona vermelha do espectro luminoso e consequente distribuição espectral desequilibrada, motivo pelo qual devem ser usadas em conjunto com lâmpadas de espectro total.

Cada vez é mais certo através de recentes investigações que as plantas aquáticas à semelhança das plantas terrestres, adaptaram-se no sentido de absorverem energia em todos os comprimentos de onda. É verdade que há picos de absorção na zona azul e vermelha do espectro, mas as plantas possuem pigmentos especializados em absorver também outros comprimentos de onda. Em presença de alguns comprimentos de onda parecem ocorrer processos biológicos determinantes no metabolismo das plantas.

A performance óptima com lâmpadas fluorescentes, aliando o crescimento das plantas a um bom aspecto do aquário é fácil de obter usando lâmpadas fluorescentes trifósforo entre os 4000 e os 8000k. Como a maioria das lâmpadas trifósforo já possuem um IRC relativamente alto, podemos juntar o útil ao agradável.

O IRC pode não ser determinante na escolha das lâmpadas, mas influencia sem dúvida a cor das plantas. Pela minha experiência tenho verificado que as lâmpadas com CRI superior a 80, desde que trifósforo têm uma curva de distribuição espectral muito equilibrada em todos os comprimentos de onda e é aqui que reside, em parte, o segredo da boa cor que elas conseguem “puxar” das plantas.  Valorizo o valor do IRC, porque garante uma reprodução fiel das cores, mas não pode ser o factor principal a determinar a escolha das lâmpadas. 

Lâmpadas com bom rendimento luminoso, ou seja, com uma boa relação de lúmen por watt, com temperaturas de cor entre os 4000k e os 8000k e com IRC>80 são as minhas preferidas para aquários plantados. Nem falo em curvas de distribuição espectral porque sei que ao misturá-las preencherei eventuais lacunas existentes numa ou noutra.

Mesmo lâmpadas com IRC e temperaturas de cor iguais têm diferentes nuances de tonalidade dependendo da marca.

PAR - Photosynthetically Available Radiation

A fórmula mais científica seria escolher as lâmpadas para os nossos plantados com base no seu PAR (Photosynthetically Available Radiation). O  PAR de uma lâmpada  corresponde em termos gerais à quantidade de fotões emitidos por uma fonte de luz no comprimento de onda entre os 400 e os 700nm e absorvidos por uma planta despoletando o mecanismo da fotossíntese. Calcular exactamente a quantidade total de energia, ou melhor ainda, a quantidade total de fotões, disponível e aproveitada para a realização da fotossíntese quando emitida por uma lâmpada é uma tarefa complicada e extremamente dispendiosa, razão pela qual nenhum fabricante de lâmpadas faz actualmente este tipo  de medições. Além disso este cálculo depende de outros factores, como sejam, o tipo de lâmpada e o tipo de reflector, e de atenuantes tais como a propagação da luz no meio aquático em função da profundidade, etc.

Conclusão

Conhecendo bem as características das lâmpadas e as diferenças que lhe são intrínsecas é possível idealizar sem problemas a iluminação ideal para um determinado “setup”.

É preciso assimilar que a iluminação perfeita dos nossos aquários é feita de pormenores e está dependente de muitos factores.
Aprender a relacionar estes factores e a compreender como as plantas reagem a diferentes temperaturas de cor e a diferentes intensidades é um factor chave na busca da melhor iluminação.

A partir de uma determinada intensidade luminosa também é necessário compreender que entram em acção outras variáveis  tais como o nível de alguns nutrientes na coluna de água.

 A certeza é que o crescimento, aspecto e cor das nossas plantas está intimamente associado à nossa escolha de lâmpadas.